terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Aquarius: aprendendo com os erros passados



O terceiro grupo - Aquarius - elas acham que é especial. "nasceu da experiência dos outros; aprendemos com os erros e estamos construindo diferente". Relatam que, muito antes de 2010, quando o grupo começou a se formar, a diretoria da Colônia já vinha pensando na criação de um grupo de alimentação. Principalmente para atuar em festas da comunidade e reuniões, a exemplo do que já ocorre em outras colônias. Começou a se materializar quando um curso de gastronomia, através de uma parceria da Superintendência da Pesca com a fábrica de farinhas Sarandi, foi realizado  durante a 7ª edição da semana do peixe, em setembro de 2009. Peixes como manjuba, saramunete, bicuara e budião, apesar de abundantes na região, possuem baixo valor comercial. A iniciativa visava agregar valor a os pescados, bem como possibilitar, com o desenvolvimento das receitas, o aumento sustentável da renda familiar. Pouca coisa foi produzida, entretanto, até setembro de 2010 quando, por ocasião da 1ª Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária de Pernambuco, no Marco Zero no Recife, decidiram colocar seu aprendizado em prática. Para lá, produziram e comercializaram coxinha, pastel, Risolis, esfirras e tortas. Atraiu a atenção, rendeu lucros bastante significativos diante do custo apresentado e empolgou. Desde lá, não pararam mais de produzir coletivamente e participam de todos os eventos que conseguem descobrir, bem como aceitam encomendas para festas, simpósios e reuniões. Atualmente oito mulheres integram o grupo e, no momento, acreditam não ter estrutura para aumentar.
O próximo passo é uma cozinha industrial. Para isso estão construindo, com a parceria principal do IPA, o projeto de turismo ecológico para a região. Em fase de elaboração para posteriormente ser apresentado para o Ministério, o projeto conta com um galpão que abrigaria uma cozinha industrial, que também serviria para o processamento do peixe dos demais integrantes da Colônia, além de espaço adequado para o administrativo. Além disso, visa construir um pier na beira do porto, valorizando o local e inserindo um quiosque, para comercialização dos produtos para os visitantes.
Enquanto aguardam, vão se virando com o que têm, sempre visando a melhoria do espaço. Recentemente obtiveram, junto ao Pronaf, um empréstimo de R$ 2.000,00 que serviu para a compra de um fogão de seis bocas, assim como liquidificador, batedeira, bacias, panelas, facas e outros instrumentos necessários para a produção. Processam o peixe e preparam os alimentos na casa de Luzia, no entorno da "sede da colônia": uma sala, que serve para as reuniões; sala de aula do Projeto Pescando Letras (Alfabetização de Jovens e Adultos, numa parceria do Ministério da Pesca com o Governo do Estado). A construção, inclusive, foi estruturada pela Prefeitura de Abreu e Lima, como contrapartida do município para o projeto do Tele centro, que deve começar a funcionar em breve. É lá que também fica o fogão e para lá que o alimento, pré-pronto, é levado para ser cozido, frito ou assado, conforme sua especificidade.
Para breve também, enquanto aguardam o projeto maior, contam com a iniciativa da Prefeitura, que vai estruturar, mesmo que provisoriamente, uma cozinha semi-industrial numa pequena construção ao lado desta sala, que será azulejada e contará com um balcão para o processamento dos alimentos.
O nome Aquarius, surgiu mesmo foi da cabeça de Luzia: "eu tinha um sonho de um dia montar um restaurante. Pensava num nome que não fosse peixe, mas que tivesse relação com isso". Nada melhor do que Aquarius, concluiu observando exatamente o que um aquário continha. Com o início do grupo, Luzia foi transportando o sonho, antes individual, para o coletivo. "Não penso mais somente em mim. Penso na comunidade". De imediato as demais integrantes gostaram, decidiram e hoje já possuem todo o material gráfico do grupo - desde cartões de visita até aventais com a logomarca - através também de parceria com o Programa Conexões de Saberes vinculado a Pró-reitoria de Extensão - UFPE e articulação com o curso de design da UFPE.
O Aquarius, segundo elas, é o grupo que trabalha em maior harmonia dos três. Acreditam que tenham aprendido com os "erros" dos outros dois, e creditam sua empolgação à forma de organização do próprio grupo, que funciona com a valorização de todas as funções. "grupo de cozinha não é feito só de cozinhar. Cada uma é de extrema importância, desde a que está preparando a massa, até a que está limpando ou que traz uma receita diferente", ensinam.
Explicam, com isso, um pouco do que chamam de "erros" anteriores. Quando fundaram o Maré Arte, não pensavam assim e acreditavam que todas as mulheres pudessem produzir artesanato. Nem todas tinham esta habilidade, entretanto e como não valorizavam, no grupo, funções como a de coleta de sementes ou de cascas, por exemplo, muitas acabaram se afastando.
Outro dos erros anteriores, para elas, foi terem se afastado da Colônia. "quando soltos, perdem fronteiras", afirmam, com a certeza de que o grupo pode também auxiliar na fixação da identidade de Porto Jatobá: "tudo o que utilizamos é daqui", descrevem, já que desde o peixe até a macaxeira ou a banana, utilizados nas receitas, são pescados, plantados ou coletados no local, por integrantes do grupo ou da comunidade. Ficar na Colônia também significa ter um local para produzir, além de terem a possibilidade de utilização do próprio CNPJ, para comercialização e projetos, ampliando as possibilidades de ingresso em programas como o PNAE e PAA, por exemplo.
Com a determinação de manterem uma relação de interdependência com a Colônia, uma nova decisão, talvez a mais significativa para sua estruturação futura: não pode haver, no grupo, mais do que duas pessoas da mesma família. Isso porque, segundo elas, e fruto de uma ampla reflexão sobre sua realidade, "a colônia não pode trabalhar para uma familia; tem que trabalhar para a comunidade como um todo".
Este item, inclusive, consta como o primeiro do "acordo de convivência" do grupo - um conjunto de regras constituídas para seu funcionamento, no qual também estão inseridas a necessidade de confiança mútua; de divisão de tarefas e de cooperação. Há também itens que falam especificamente sobre como agir em relação aos erros, desavenças, intrigas ou fofocas. E mesmo TPM ou como enfrentar a existência de temperamentos diferentes. Problemas familiares ou outros, que impeçam que uma das integrantes esteja presente quando necessário ou deixe de cumprir com a função que lhe foi destinada na divisão de tarefas, deve ser explicado, "e o grupo terá que ouvir e apoiar", exemplificam.
Segundo elas, compreender os horários e as dificuldades de cada uma é vital para o funcionamento do grupo:  "todas somos mães, temos filhos, responsabilidades com nossa casa, nossos filhos e maridos. Não podemos sacrificar nem um ou outro". Acima de tudo, querem preservar a amizade, a união e o respeito e, para isso, contam com o acordo de convivência, que inclui as conversas abertas e a possibilidade de trocas nas escalas.
Mesmo que a renda ainda seja pequena, todas ganham igual, exatamente por acreditarem que todas as funções são importantes. Para aumentar a renda, pensam em ir para a cidade, para restaurantes, levar cartão e apresentar os produtos. Um rendimento mais fixo fugindo da sazonalidade das feiras e encomendas, é o que buscam. Com ele, acreditam que possam colocar em prática seu maior desejo: ter um ganho fixo mensal; uma renda que possibilite sua independência financeira e o auxílio no sustento da família. 


crédito de texto - Nani Mariani

Planeta Vida: o sustento que vem da terra




O segundo grupo, Planeta Vida, se caracteriza como de Horta Comunitária. Foi no final de 2008 que começou a se organizar, a partir de uma iniciativa também da UFPE. "A gente tinha terra, mas não plantava", dizem elas, que já tinham consciência da possibilidade de retorno financeiro com a atividade agrícola, já que praticavam a coleta e venda de frutas do quintal. Começaram com 12 pessoas (apenas um homem), mas as aulas teóricas desmotivavam o grupo, além de apresentar inúmeras dificuldades: eram realizadas aos sábados e muitas das integrantes, que aproveitavam o sábado pela manhã para comercializar o pescado na feira, vinham sem almoço para o curso, realizado na sede da Colônia. Logo, portanto, quiseram partir para a prática. decidiram plantar coletivamente, nos sítios das pessoas envolvidas. Todas juntas plantavam, todas juntas limpavam, todo o grupo colhia. A tarefa de aguar as plantas ficava para o quem morava no sítio. Esta experiência foi implantado em dois sítios mas, com o tempo, um deles desistiu e a experiência ficou circunscrita ao outro sítio, "das meninas", todas da mesma família. Atualmente são quatro integrantes que, em sua maioria, continuam na pesca durante dois ou três dias da semana e três delas integram também o grupo da alimentação. Querem incrementar a plantação, pensam em aumentar o grupo, seja com família ou vizinhos, e também acham que é necessário a presença de alguns homes, para ajudar no serviço mais pesado. de apoio dos homens, hoje só contam mesmo com o de algum material que é emprestado por eles: o carrinho de mão e o tonel de água do tio (não possuem água no local); a enxada do pai (que tem que ser devolvida diariamente, no horário marcado), como exemplos. Mas as dificuldades são imensas já que, além da água, não possuem instrumentos adequados para o trabalho e chegam a molhar as plantas com balde e canequinho, pois não possuem regador. A renda obtida com a venda de coentro (o principal plantio do grupo atualmente) ainda não permite investimentos nestes materiais e mesmo com a verba que receberam do Projeto Descobrindo Tesouros (também da UFPE) não conseguiram comprar, já que materiais permanentes não constavam da rubrica. Com a verba, de 430,00 compraram 4 pares de bota, uma mangueira de 50 metros e sementes, que estão armazenadas esperando o período de estiagem, já que as fortes chuvas do período acabaram também atrapalhando a produção.
O escritório do IPA de Abreu e Lima, que elegeu Porto Jatobá como prioridade máxima em 2009, apóia com assistência técnica e algumas sementes. É de lá, inclusive, que vem a maior expectativa do grupo para o próximo período: as PAIS. Três kits do projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), munidos de uma estrutura completa para produção (bomba, canos, caixa dágua, fiação, galinheiros, galinhas e galo) serão instalados na comunidade, sendo dois no sítio que serve de sustentação para o Planeta Vida e um terceiro no entorno da sede da Colônia. Os kits não vieram do nada, entretanto. Foram sorteados entre as integrantes de um curso, de mesmo nome e composto por 4? módulos, promovido pelo IPA. Do curso, todas participaram e mais Luzia, secretária da colônia e uma das maiores incentivadoras dos grupos de mulheres. Foi nesse curso, inclusive, que acabaram decidindo o nome Planeta Vida, depois de uma oficina sobre agroecologia. As decisões do grupo são coletivas; o trabalho é coletivo bem como a partilha dos recursos vindos da venda, mesmo que muito pequenos ainda. Isso quando não decidem deixar o dinheiro na caixinha, para alguma emergência (arrumar o pneu furado do carro de mão do tio, por exemplo) ou necessidade de alguém do grupo. Por serem da mesma familia, moraram perto e plantarem no mesmo terreno, reúnem-se ali mesmo, na horta, para planejar a plantação. A Prefeitura, que ajudou o início do grupo, com R$ 20,00 de sementes, está sempre atenta à movimentação do grupo e pronta para apoiar quando solicitada e já sabe que vão ter que encontrar meios para atender a outra das reivindicações do grupo: uma barraca na nova Feira que estão construindo na cidade. Hoje o grupo comercializa na barraca de outras pessoas, mas querem ter uma banca só de seus produtos, que são orgânicos, diferentes dos demais vendidos atualmente no local.


crédito de texto - Nani

Maré Arte: onde tudo começou






Tudo começa, segundo o relato das mulheres e dos próprios parceiros, em 2007, a partir de um grande desastre ecológico provocado na região. Desde dezembro de 2006, quando foi registrada a primeira denúncia de esgoto e resíduos químicos lançados no Rio Timbó por cerca de 23 indústrias instaladas na Região da Bacia, o dano ambiental era visível. Nada se comparou, entretanto, ao causado pela Saint-Gobain Abrasivos, em 2007. Durante meses, a Saint Gobain efetuou despejo de efluentes industriais no rio e nem mesmo a aplicação de multas pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) impediu que continuassem. Acabaram provocando a mortalidade de peixes e, principalmente, dos mariscos, sururu, ostras e camarões. ”Muitos peixes, que sabem nadar, foram para outros lugares, mas e o sururu e o marisco, que vivem grudados nas pedras?” perguntam, já conhecendo bem a resposta.
Na época, a organização ainda era por Associação. A Colônia (que possui funções que se assemelham à dos sindicatos de classe) só passou a funcionar como tal em 2008, a partir da capacidade de articulação da própria comunidade. As ações desenvolvidas no período foram inúmeras. Aplacar a fome era a tarefa imediata, mas a mais importante era o retorno do pescado para o Rio Timbó. Para isso, foram muitos os caminhos percorridos.
Para diminuir a fome contaram, durante seis meses, com cestas básicas fornecidas pela Prefeitura e insuficiente para o número de famílias atingidas. Neste caso, através de uma ampla organização e conhecimento da comunidade, acabaram criando critérios para a distribuição, selecionando, dentre as famílias, as que mais necessitavam. Para aumentar a feira, então, passaram a coletar as frutas do quintal (vendidas na feira); armaram uma tenda em praça pública e fizeram o porta a porta pedindo doação de alimentos (não queriam dinheiro, apenas comida). Houve também, durante o processo, muitos que acabaram se afastando e procurando ocupações fora da pesca (construção civil, principalmente) para garantir um sustento mínimo de suas famílias.
As ações para o enfrentamento do desastre ambiental também foram muitas e passaram pela mobilização da comunidade, integração ao movimento ambientalista e inúmeras denúncias e visitas aos órgãos responsáveis, além da articulação da imprensa.
As iniciativas foram dando resultado e, em paralelo, a consolidação de algumas parcerias. Aos poucos o rio voltou a ter possibilidade de pesca mas, como era de se esperar, as mulheres continuavam as mais prejudicadas. O peixe, que nadou na época do desastre, foi voltando, mas o restante havia morrido. Justamente o que possibilitava renda para as mulheres.
Assim começa a história do primeiro grupo, fruto da constatação das próprias mulheres e da Associação de que precisavam gerar renda e de que, para isso, precisavam e podiam encontrar outras fontes além do marisco.
No final de 2007 o IPA, que se tornou parceiro neste período, propiciou um curso de artesanato (casca de marisco, sururu, ostra...) para 10 mulheres da comunidade. Esta primeira iniciativa não frutificou, porque as mulheres acabaram apenas produzindo para si, mas acabou ganhando fôlego a partir de uma segunda parceria, com a Universidade Federal de Pernambuco, através do programa Conexões de Saberes. Chegaram pelas mãos de Edilson, "filho da comunidade", e integrante do programa, que trouxe Ana Emilia, professora do curso de design e coordenadora do Conexões de Saberes. Com ela, novas possibilidades: trabalharam a identidade; materiais e começaram a produzir acessórios femininos para comercializar. O nome do grupo: Maré Arte, remetendo ao lugar onde vivem, onde e o que produzem e de onde tiram a matéria-prima para sua produção. R$ 90,00 foi o investimento inicial do grupo, obtidos com apoio dos parceiros e utilizados para comprar alguns materiais necessários. Para a primeira feira da qual participaram, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, lembram até hoje, conseguiram um empréstimo de R$ 70,00 com “Seu Dega”, presidente da Colônia. Obtiveram R$ 180,00 de retorno; pagaram o que deviam e dividiram o que sobrou igualitariamente, depois de guardarem R$50,00 na caixinha. Eram seis mulheres e cada uma recebeu R$ 12,00. Do grupo inicial a maioria saiu, porque necessitavam de  retorno imediato. Outras foram entrando, entretanto e hoje, a maioria das sete integrantes mora na cidade de Abreu e Lima e se mantêm numa estrutura familiar. São irmãs, tias e sobrinhas trabalhando juntas, na casa de uma ou outra, já que não possuem lugar específico para sua produção. Comercializam em feiras, com o apoio e indicação dos parceiros. A maioria das feiras rende de R$ 200,00 a R$ 300,00, mas já houve em que conseguiram R$ 600,00 e outras em que não vendem nada. Passam, além disso, dois ou três meses, sem feira para comercializar. Nesse período, segundo seu relato, voltam à pesca ou fazem alguma faxina para ajudar no sustento da família. 



crédito de texto - Nani

Jatobá: um pouco de história.



“Sonho que um dia Porto Jatobá vai se tornar um pólo turístico no Estado. E a nossa comida será conhecida no país inteiro e que as pessoas vão querem vir para Pernambuco e provar dela”.
É com esse sonho na cabeça, mas os pés bem firmes no chão, que um grupo de mulheres pescadoras, da Colônia Z33, em Porto Jabotá, está redesenhando sua história.
Situado no bairro de Jaguaribe, na área rural do município de Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, Porto Jatobá recebeu este nome porque, na beira do porto do local – para pequenas embarcações de pescadores – havia um grande Jatobá cujas sementes caiam dentro da água. A área é de reserva de Mata Atlântica e manguezal. Na localidade, segundo um levantamento realizado pela Universidade Federal de Pernambuco, habitam aproximadamente 100 pessoas, distribuídas em 27 casas. Integram a comunidade, entretanto, muitas outras famílias da circunvizinhança, organizadas no entorno da Colônia de Pescadores Z33, situada no Porto, uma das mais recentes colônias do Estado, com apenas três anos de existência. São cerca de 400 famílias sobrevivendo no local quase que exclusivamente de práticas do setor primário, como a pesca e a agrícola.
A pesca é praticada por homens e mulheres. Atualmente 70 homens e 56 mulheres estão registrados no local como pescadores e pescadoras. Isso pelo Ministério, mas há muitas pessoas que exercem a pesca sem qualquer registro.A maioria dessas mulheres, mesmo registradas como pescadoras, desenvolvem a função de marisqueiras, porque o registro não especifica função. Em geral, a profissão de pescadora é ensinada pelos maridos, mas nem todos passam seus conhecimentos para as mulheres; muito ainda pela visão tradicional de que cabe a eles o sustento da casa ou mesmo de que “esta profissão é a deles”, deixando para elas outras práticas consideradas mais leves, como a coleta do sururu e mariscos, por exemplo.
Três grupos de mulheres se articulam na comunidade, a partir da Colônia Z33: o de artesanato (Maré Arte); o de horta (Planeta Vida) e o de alimentação (Aquarius). Foram criados nessa seqüência, a partir das necessidades e possibilidades que foram surgindo. As integrantes mantêm uma relação de unidade; muitas iniciaram num dos grupos e passaram para os outros e algumas, até mesmo, chegam a integrar mais de um.
Além da própria direção da Colônia Z33, aparecem como parceiros presentes no processo a Superintendência Federal da Pesca e Aqüicultura de Pernambuco (braço local do Ministério), a Universidade Federal de Pernambuco (através do programa Conexões de Saberes); o Instituto Agronômico de de Pernambuco (IPA) e a Prefeitura de Abreu e Lima. Também aparecem como lembranças uma ONG local e a Universidade Federal Rural de Pernambuco.
As parcerias, bastante consolidadas hoje, “mais do que parceiros, tornaram-se amigos”, segundo seu relato, conseguem agir de forma combinada, ampliando os benefícios e as conquistas da comunidade. A integração de ações, por exemplo, possibilitou a construção de uma fábrica de gelo no local, assim como do tele centro (em fase de implantação) e começa também a construir o sonho da comunidade de ter o local como referência de turismo ecológico. Um projeto, neste sentido, está sendo elaborado pela comunidade em conjunto com os parceiros.
É assim que a história dos grupos de mulheres (e da própria Colônia de Pescadores), apesar de bastante recente, começa a gerar frutos alterando, gradativa e significativamente, sua condição de vida. 



crédito de texto - Nani