O segundo grupo, Planeta Vida, se caracteriza como de Horta Comunitária. Foi no final de 2008 que começou a se organizar, a partir de uma iniciativa também da UFPE. "A gente tinha terra, mas não plantava", dizem elas, que já tinham consciência da possibilidade de retorno financeiro com a atividade agrícola, já que praticavam a coleta e venda de frutas do quintal. Começaram com 12 pessoas (apenas um homem), mas as aulas teóricas desmotivavam o grupo, além de apresentar inúmeras dificuldades: eram realizadas aos sábados e muitas das integrantes, que aproveitavam o sábado pela manhã para comercializar o pescado na feira, vinham sem almoço para o curso, realizado na sede da Colônia. Logo, portanto, quiseram partir para a prática. decidiram plantar coletivamente, nos sítios das pessoas envolvidas. Todas juntas plantavam, todas juntas limpavam, todo o grupo colhia. A tarefa de aguar as plantas ficava para o quem morava no sítio. Esta experiência foi implantado em dois sítios mas, com o tempo, um deles desistiu e a experiência ficou circunscrita ao outro sítio, "das meninas", todas da mesma família. Atualmente são quatro integrantes que, em sua maioria, continuam na pesca durante dois ou três dias da semana e três delas integram também o grupo da alimentação. Querem incrementar a plantação, pensam em aumentar o grupo, seja com família ou vizinhos, e também acham que é necessário a presença de alguns homes, para ajudar no serviço mais pesado. de apoio dos homens, hoje só contam mesmo com o de algum material que é emprestado por eles: o carrinho de mão e o tonel de água do tio (não possuem água no local); a enxada do pai (que tem que ser devolvida diariamente, no horário marcado), como exemplos. Mas as dificuldades são imensas já que, além da água, não possuem instrumentos adequados para o trabalho e chegam a molhar as plantas com balde e canequinho, pois não possuem regador. A renda obtida com a venda de coentro (o principal plantio do grupo atualmente) ainda não permite investimentos nestes materiais e mesmo com a verba que receberam do Projeto Descobrindo Tesouros (também da UFPE) não conseguiram comprar, já que materiais permanentes não constavam da rubrica. Com a verba, de 430,00 compraram 4 pares de bota, uma mangueira de 50 metros e sementes, que estão armazenadas esperando o período de estiagem, já que as fortes chuvas do período acabaram também atrapalhando a produção.
O escritório do IPA de Abreu e Lima, que elegeu Porto Jatobá como prioridade máxima em 2009, apóia com assistência técnica e algumas sementes. É de lá, inclusive, que vem a maior expectativa do grupo para o próximo período: as PAIS. Três kits do projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), munidos de uma estrutura completa para produção (bomba, canos, caixa dágua, fiação, galinheiros, galinhas e galo) serão instalados na comunidade, sendo dois no sítio que serve de sustentação para o Planeta Vida e um terceiro no entorno da sede da Colônia. Os kits não vieram do nada, entretanto. Foram sorteados entre as integrantes de um curso, de mesmo nome e composto por 4? módulos, promovido pelo IPA. Do curso, todas participaram e mais Luzia, secretária da colônia e uma das maiores incentivadoras dos grupos de mulheres. Foi nesse curso, inclusive, que acabaram decidindo o nome Planeta Vida, depois de uma oficina sobre agroecologia. As decisões do grupo são coletivas; o trabalho é coletivo bem como a partilha dos recursos vindos da venda, mesmo que muito pequenos ainda. Isso quando não decidem deixar o dinheiro na caixinha, para alguma emergência (arrumar o pneu furado do carro de mão do tio, por exemplo) ou necessidade de alguém do grupo. Por serem da mesma familia, moraram perto e plantarem no mesmo terreno, reúnem-se ali mesmo, na horta, para planejar a plantação. A Prefeitura, que ajudou o início do grupo, com R$ 20,00 de sementes, está sempre atenta à movimentação do grupo e pronta para apoiar quando solicitada e já sabe que vão ter que encontrar meios para atender a outra das reivindicações do grupo: uma barraca na nova Feira que estão construindo na cidade. Hoje o grupo comercializa na barraca de outras pessoas, mas querem ter uma banca só de seus produtos, que são orgânicos, diferentes dos demais vendidos atualmente no local.
crédito de texto - Nani

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