“Sonho que um dia Porto Jatobá vai se tornar um pólo turístico no Estado. E a nossa comida será conhecida no país inteiro e que as pessoas vão querem vir para Pernambuco e provar dela”.
É com esse sonho na cabeça, mas os pés bem firmes no chão, que um grupo de mulheres pescadoras, da Colônia Z33, em Porto Jabotá, está redesenhando sua história.
Situado no bairro de Jaguaribe, na área rural do município de Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, Porto Jatobá recebeu este nome porque, na beira do porto do local – para pequenas embarcações de pescadores – havia um grande Jatobá cujas sementes caiam dentro da água. A área é de reserva de Mata Atlântica e manguezal. Na localidade, segundo um levantamento realizado pela Universidade Federal de Pernambuco, habitam aproximadamente 100 pessoas, distribuídas em 27 casas. Integram a comunidade, entretanto, muitas outras famílias da circunvizinhança, organizadas no entorno da Colônia de Pescadores Z33, situada no Porto, uma das mais recentes colônias do Estado, com apenas três anos de existência. São cerca de 400 famílias sobrevivendo no local quase que exclusivamente de práticas do setor primário, como a pesca e a agrícola.
A pesca é praticada por homens e mulheres. Atualmente 70 homens e 56 mulheres estão registrados no local como pescadores e pescadoras. Isso pelo Ministério, mas há muitas pessoas que exercem a pesca sem qualquer registro.A maioria dessas mulheres, mesmo registradas como pescadoras, desenvolvem a função de marisqueiras, porque o registro não especifica função. Em geral, a profissão de pescadora é ensinada pelos maridos, mas nem todos passam seus conhecimentos para as mulheres; muito ainda pela visão tradicional de que cabe a eles o sustento da casa ou mesmo de que “esta profissão é a deles”, deixando para elas outras práticas consideradas mais leves, como a coleta do sururu e mariscos, por exemplo.
Três grupos de mulheres se articulam na comunidade, a partir da Colônia Z33: o de artesanato (Maré Arte); o de horta (Planeta Vida) e o de alimentação (Aquarius). Foram criados nessa seqüência, a partir das necessidades e possibilidades que foram surgindo. As integrantes mantêm uma relação de unidade; muitas iniciaram num dos grupos e passaram para os outros e algumas, até mesmo, chegam a integrar mais de um.
Além da própria direção da Colônia Z33, aparecem como parceiros presentes no processo a Superintendência Federal da Pesca e Aqüicultura de Pernambuco (braço local do Ministério), a Universidade Federal de Pernambuco (através do programa Conexões de Saberes); o Instituto Agronômico de de Pernambuco (IPA) e a Prefeitura de Abreu e Lima. Também aparecem como lembranças uma ONG local e a Universidade Federal Rural de Pernambuco.
As parcerias, bastante consolidadas hoje, “mais do que parceiros, tornaram-se amigos”, segundo seu relato, conseguem agir de forma combinada, ampliando os benefícios e as conquistas da comunidade. A integração de ações, por exemplo, possibilitou a construção de uma fábrica de gelo no local, assim como do tele centro (em fase de implantação) e começa também a construir o sonho da comunidade de ter o local como referência de turismo ecológico. Um projeto, neste sentido, está sendo elaborado pela comunidade em conjunto com os parceiros.
É assim que a história dos grupos de mulheres (e da própria Colônia de Pescadores), apesar de bastante recente, começa a gerar frutos alterando, gradativa e significativamente, sua condição de vida.
crédito de texto - Nani

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